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Crise do Coronavírus: Vale a pena colocar o dinheiro na poupança? Veja a remuneração

A caderneta de poupança ainda é o investimento mais lembrado e usado pelos brasileiros. Mas, com a Crise do Coronavírus, ainda é uma boa alternativa?

A pesquisa feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) confirma em números: entre as pessoas que têm alguma aplicação financeira, 89% colocam seu dinheiro na poupança. Seguramente, ainda é considerado como sendo o mais popular e tradicional investimento do Brasil, exatamente pela sua simplicidade e por ter um risco bem baixo. Mas por que esse tipo de aplicação se mantém no topo das preferências?

A simplicidade para abrir uma conta poupança e efetuar saques e depósitos, a segurança, a possibilidade de fazer o resgate a qualquer momento e a ausência de cobrança de impostos e taxas são alguns dos fatores que ajudam a poupança a continuar sendo a aplicação mais querida dos brasileiros.

A poupança é isenta de Imposto de Renda e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e os bancos não cobram tarifas por sua manutenção. A segurança do investimento está ligada à proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que assegura a devolução do dinheiro, até um determinado limite, em caso de quebra da instituição financeira.

Como funciona

Dentre outras coisas, muita gente não sabe que o rendimento da poupança depende do ano em que ela foi aberta e por isso conversamos com o gerente e consultor financeiro do Banco Itaú, José Galdino Júnior, para saber maiores detalhes sobre esse tipo de investimento, inclusive como funciona o cálculo com base na data, etc.

O especialista explicou que “a rentabilidade do banco se dá com o spread bancário entre essas operações e uma das formas do banco arrecadar dinheiro é na poupança, pois trata-se do investimento mais tradicional do cliente conservador brasileiro e a poupança serve como financiamento para o crédito imobiliário, logo, todo recurso que o banco capta em poupança, servirá como lastro para o crédito imobiliário, pois para que se possa emprestar dinheiro numa ponta, faz-se necessário ter um lastro em outra ponta”.

“O spread bancário é a diferença entre a remuneração que o banco paga ao aplicador para captar um recurso e o quanto esse banco cobra para emprestar o mesmo dinheiro. O cliente que deposita dinheiro no banco, em poupança ou outra aplicação, está de fato fazendo um empréstimo ao banco”, asseverou.

“Antes de 2012, a poupança era rentabilizada por uma alíquota de 0,5% no seu aniversário, pois tinha uma taxa básica de juros bem mais alta que hoje, que girava em torno de 14,25%. Então, por exemplo, se você faz um depósito em poupança no dia 01 de marco, quando completar os exatos 30 dias (no dia 01 de abril), você vai ter a rentabilidade dentro do percentual da poupança anteriormente mencionado. E a partir do dia 03 de maio de 2012, a poupança passou a rentabilizar 70% da taxa básica de juros (Selic), que atualmente está em 4,25%, logo, está sendo rentabilizado em torno de 2,98% ao ano e de 0,25% ao mês, que é a rentabilidade paga pela poupança nos dias de hoje”, destacou.

“Essa mudança ocorreu por que o Governo Federal, através do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copon). Entrou no processo de redução de taxa básica de juros, com vistas a fomentar a economia, uma vez que se isso não fosse feito, todo mundo iria resgatar em massa seus outros investimentos e aplicariam na conta poupança, e isso poderia acarretar um desequilíbrio financeiro”, disse.

“A poupança só paga a rentabilidade na data do aniversário de cada investimento realizado, ou seja, se você depositar o dinheiro no dia 1º de março e for resgatar no dia 30 de março, você não vai ganhar nada, pois, obrigatoriamente, você teria que esperar completar os 30 dias para poder ganhar a rentabilidade e isso só ocorreria no dia 1ª de abril. Se for feito um depósito em cheque, vai contar da data do depósito e não a data da compensação, por exemplo, se o depósito foi feito no dia 1º de março e só iria ser compensado no dia 3, contabiliza-se como sendo o dia 1º de março e o banco vai lhe pagar a rentabilidade após completar os 30 dias, ou seja, em 1º de abril. Então, pela regra da poupança, sempre leva-se em consideração a data de cada investimento realizado, logo, se você faz uma aplicação de R$ 1.000 no dia 1º de março e outra de R$ 5.000 no dia 5, se chegar abril e você pretende resgatar R$ 1.000, o banco vai buscar a data do primeiro depósito (mais antigo) e paga a rentabilidade, obedecendo sempre a ordem regressiva do mais antigo para o mais atual”, explicou.

Entendendo o rendimento

A rentabilidade da poupança está atrelada a dois indicadores da economia, a Taxa Selic e a Taxa Referencial (TR). Os valores depositados são remunerados conforme com as seguintes regras:

– 0,5% ao mês, quando a taxa Selic for superior a 8,5% no ano, mais a Taxa Referencial (TR);

– 70% da taxa Selic, quando a Selic for igual ou inferior a 8,5%, mais a Taxa Referencial (TR).

De olho nas datas de aniversário

O rendimento da poupança é calculado mensalmente e é creditado na data de aniversário, ou seja, no dia em que você fez o depósito. Se ele foi feito no dia 1º, o rendimento será depositado sempre no dia 1º, enquanto o dinheiro estiver lá. Por isso, fique atento às datas de depósito e retirada. Se você fizer o depósito nos dias 29, 30 e 31, a data de aniversário da sua caderneta será o próximo dia 1º. Quando a data cai no final de semana ou feriado, o dinheiro é remunerado no próximo dia útil.

Precisa ficar aplicado 30 dias para render

Se você colocou R$ 500 na poupança no dia 5 de janeiro e precisou sacar R$ 200 no dia 30 de janeiro, não receberá rentabilidade pelos R$ 200, mas somente pelos R$ 300 que ficaram aplicados o mês inteiro. Portanto, programe-se para fazer movimentações somente após a data de aniversário.

Mais de uma data de aniversário

Se você não pode esperar um mês para ter acesso ao dinheiro, já acrescido de juros, uma opção é ter mais de uma data de aniversário. Basta, para isso, fazer depósitos em datas diferentes e sacá-los somente após o aniversário. Você pode ter poupanças que vencem nos dias 1º, 10, 20 e 30, por exemplo. Assim, terá a oportunidade de melhorar seus ganhos.

 Como fica se o banco falir?

Assim como outros tipos de investimentos, a caderneta de poupança é assegurada pelo Fundo Garantidor de Créditos, que é uma organização que tem a responsabilidade de manter a saúde do ambiente financeiro no País. Caso o banco onde você tem a aplicação quebre, o FGC restitui o dinheiro. Esta garantia é válida para valor máximo de R$ 250 mil por pessoa (e por instituição). Se você tem R$ 250 mil em poupança no Banco A e R$ 250 e na poupança do Banco B, o FGC é obrigado a devolver os R$ 500 mil.

 

Olavo Rodrigues com Portal Diário da Paraíba

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