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Primeira etapa do estudo epidemiológico sobre coronavírus em Noronha começa na sexta

Pesquisa tem, ao todo, cinco fases. Segundo os responsáveis pelo trabalho, serão feitos 900 testes em pessoas de diversas faixas etárias.

 Pesquisadores, agentes comunitários e de endemia, além de integrantes das equipes da Superintendência de Saúde da Administração de Fernando de Noronha, começam, na sexta-feira (22), a primeira etapa do estudo epidemiológico para avaliar a circulação do novo coronavírus na ilha. Ao todo, são cinco fases de pesquisa, aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A primeira fase acontece até a primeira semana de junho. Depois, o estudo continua em 30 e 60 dias. Serão convidados 900 moradores, homens e mulheres, de diversas faixas etárias, de todas as regiões da ilha, selecionados de forma aleatória. As pessoas que aceitarem participar do estudo passam a ser acompanhados pela equipe por um ano.

Os voluntários respondem a questionários e realizam testes para a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O estudo busca fornecer evidências para orientar ações de vigilância e controle da doença. Os dados também devem dar suporte para as decisões da Administração do Distrito para a retomada das atividades sociais e econômicas na ilha.

“Estamos fazendo um trabalho duro em Fernando de Noronha para o coronavírus não se propagar. As medidas restritivas que implementamos desde o início da pandemia resultaram no sucesso que tivemos até agora. Mas não podemos relaxar nem um pouco. Precisamos continuar com as atitudes de isolamento social, de higiene e de cuidado com o próximo. O estudo epidemiológico é mais uma arma na estratégia de combate ao vírus, para que possamos voltar à normalidade que todos nós queremos o quanto antes”, disse o administrador da ilha, Guilherme Rocha.

Após esse período, os acompanhamentos são feitos com 180 dias e 360 dias. Nessas cinco etapas, os pesquisadores estarão em Noronha, auxiliando na realização dos exames e questionários, e conversando com os moradores. O material coletado é enviado para o laboratório, no Recife, em até 72 horas.

Ao longo da primeira etapa do estudo, devem ser testadas 900 pessoas. A equipe da pesquisa vai até as residências dos moradores para perguntar se eles querem participar do estudo.

Segundo Regina Brizolara, que é tecnologista na área de doenças transmissíveis e especialista da Secretaria Estadual de Saúde, o estudo epidemiológico visa mostrar a real situação da propagação do vírus na comunidade, inclusive se ocorre a circulação silenciosa do coronavírus na ilha.

Para participar, as pessoas sorteadas precisam dar o seu consentimento, autorizando a aplicação do questionário e a realização de exames periódicos para a detecção da Covid-19. Dessa forma, é possível compreender como essa nova doença está interferindo na vida da população.

“A colaboração da população vai nos ajudar a conhecer melhor a circulação da doença na ilha e guiar as ações de reabertura do comércio e outras ações que o administrador precisar tomar daqui para frente, a partir das informações sobre a incidência e prevalência da doença”, afirmou a especialista.

A pesquisadora disse, ainda, que será possível saber quem vai ter a doença ao longo desse tempo e quais os sintomas principais de quem está doente na ilha. “Teremos várias respostas a partir do estudo, conheceremos melhor como a Covid se comporta na ilha de Fernando de Noronha”, contou.

Mozart Sales, que é especialista da Secretaria Estadual de Saúde e coordenador do estudo na ilha, disse que a aprovação do trabalho na comissão ligada ao Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, reforçou a importância da pesquisa para a população de Fernando de Noronha, pois é um fator de proteção para os moradores.

Sales afirmou também que o estudo respeita os princípios da bioética para a realização de pesquisas em seres humanos e que trabalhos semelhantes estão sendo realizados em vários países desenvolvidos, como a Inglaterra.

“A população de Noronha pode ficar tranquila, porque todas as questões necessárias para uma pesquisa desse porte em seres humanos foram automaticamente garantidas, para aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. E nós vamos seguir diretamente o que está estabelecido”, declarou.

Serão feitos dois tipos de exame. Um deles é realizado com o “swab”, uma espécie de cotonete que é inserido no nariz e na garganta para coletar secreções respiratórias, que identifica a Covid-19 na sua forma aguda, nas pessoas que podem ter contraído a doença há pouco tempo.

O exame realizado a partir da coleta de sangue serve para identificar se a pessoa já teve a doença e desenvolveu anticorpos. “É uma pesquisa completa, de maior amplitude em relação ao que está sendo realizado em outros estudos no território brasileiro”, afirmou Mozart Sales.

O médico Odorico Monteiro, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ceará, faz parte da equipe do estudo na ilha.

“Fernando de Noronha hoje representa para o Brasil duas ilhas. A ilha real, oceânica, de muita beleza, mas também uma ilha de sucesso. Digo isso quando analisamos os 28 casos confirmados, seguido dos mesmos 28 recuperados, zero óbitos e nenhum em investigação. A capacidade de propagação do vírus precisa ser estudada”, disse o médico.

 

Diário da Paraíba com G1

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