Trump engana Bolsonaro e anuncia taxação do aço e do alumínio brasileiros

Em mais uma frente de batalha da guerra protecionista empreendida por seu governo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em seu perfil do Twitter que irá retomar imediatamente as tarifas norte-americanas sobre aço e alumínio do Brasil e da Argentina.

“O Brasil e a Argentina têm promovido uma forte desvalorização de suas moedas, o que não é bom para nossos fazendeiros”, justificou Trump. “Portanto, com vigência imediata, restabelecerei as tarifas de todo aço e alumínio enviados aos EUA por esses países”. Na mesma publicação do Twitter, Trump também pediu que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) impeça que países tomem vantagem de um dólar mais forte, desvalorizando suas moedas. Um terço do aço exportado no Brasil tem como destino o mercado dos Estados Unidos, que também é o maior cliente do produto argentino.

Na manhã da segunda-feira (1º), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reagiu à fala de Trump, um aliado de seu governo, afirmando que irá conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e acrescentou que, se precisar, entrará em contato com o próprio presidente norte-americano. “Se for o caso, falo com Trump, tenho canal aberto”. Logo depois, durante uma entrevista à rádio mineira Itatiaia, no Palácio do Planalto, Bolsonaro afirmou que o anúncio de Trump é “munição para pessoal opositor meu aqui no Brasil” e em seguida que que não entende a medida como “retaliação”.

Para o chanceler Ernesto Araújo, a medida anunciada por Trump não preocupa “e não nos tira desse trilho rumo a uma relação mais profunda”. “Vamos conversar, vamos entender a medida, como eu digo, com toda tranquilidade. Não estamos de forma nenhuma apurados com isso, vamos avaliar o impacto, avaliar exatamente que tipo de medida os EUA estão pensando”, declarou o ministro, segundo quem esse é um setor que desde ano passado preocupa os norte-americanos.

“Então, vamos, como eu digo, tentar entender e ver como a gente vai conversar com EUA, com muita calma, vamos chegar a um entendimento sobre isso”, finalizou.

Em nota, o Instituto Aço Brasil afirmou que recebeu com perplexidade a decisão anunciada por Trump e disse que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real. “A decisão de taxar o aço brasileiro como forma de compensar o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil, que não condiz com as relações de parceria entre os dois países”, diz a nota enviada ao El País. “Por último, tal decisão acaba por prejudicar a própria indústria produtora de aço americana, que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas”.

Na tarde da segunda-feira, o ministério da Economia comunicou que o governo brasileiro já estaria em contato com interlocutores em Washington sobre o tema. “O governo trabalhará para defender o interesse comercial brasileiro e assegurar a fluidez do comércio com os EUA, com vistas a ampliar o intercâmbio comercial e aprofundar o relacionamento bilateral, em benefício de ambos os países”, diz nota do ministério.

Enquanto isso, na Argentina, o ministro das Relações Exteriores, Jorge Faurie, falou por telefone com o secretário de Comércio dos EUA, Willbur Ross, “para negociar em diferentes níveis e ver como a questão pode ser resolvida”, disseram fontes do Ministério das Relações Exteriores ao El País. O porta-voz se recusou a dar detalhes da conversa. A negociação também está nas mãos do ministro da Produção, Dante Sica, que pediu ao embaixador argentino em Washington, Fernando Oris de Roa, que solicitasse uma entrevista com Ross, um funcionário que estava em Buenos Aires e que a Casa Rosada considera um aliado. O problema na Argentina é que em oito dias o centro-esquerdista Alberto Fernández substituirá Macri e qualquer negociação iniciada deverá continuar com novos funcionários.

Diário da Paraíba com El País

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