Sem previsão de alta, Bolsonaro apresenta melhora contínua após cirurgia

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) apresenta nesta terça-feira (10) “contínua melhora” depois da cirurgia a que foi submetido no domingo (8), e ficará afastado da Presidência pelo menos até quinta-feira (12).

A situação, segundo o boletim médico, é estável: ele dormiu bem e acordou disposto, está sem febre, continua fazendo caminhadas no corredor do hospital, foi liberado para tomar banho de chuveiro e pôde fazer a barba.

Precisa, no entanto, manter uma alimentação restrita -dieta líquida à base de chá, água, gelatina e caldo ralo, de acordo com o informe.

Bolsonaro está internado no Hospital Vila Nova Star, na região sul de São Paulo, onde passou pela quarta cirurgia desde que sofreu uma facada durante um ato de campanha em setembro de 2018.

Não há previsão de alta até o momento, de acordo com o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros.

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) está interinamente à frente do Planalto. A tendência é que Bolsonaro reassuma a cadeira na próxima quinta, mesmo que continue internado. Se for necessário, ele poderá despachar ainda durante a recuperação. A única recomendação é evitar esforço físico intenso.

“Posso adiantar-lhes com muita clareza, com muita firmeza de propósito, com muita esperança, que o presidente a partir de quinta-feira estará novamente, senão na plenitude, exercendo o cargo de chefe do Poder Executivo, em condições de liderar o país”, afirmou Rêgo Barros.

No hospital, a equipe médica adotou medidas de prevenção de trombose venosa profunda, com o uso de medicamentos anticoagulantes e meias compressoras. As visitas continuam restritas. Segundo o porta-voz, os contatos têm que ser breves porque Bolsonaro precisa descansar. Ao conversar, pode haver acúmulo de gases na barriga do paciente, o que prejudica a recuperação.

O presidente não tem visitas agendadas para esta terça. No dia anterior, ele recebeu o vice-presidente Mourão. O presidente tem a companhia, durante a internação, da primeira-dama Michelle e do filho Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), vereador no Rio.

Questionado sobre a afirmação de Carlos de que o Brasil não terá transformações rápidas pelas vias democráticas, o porta-voz da Presidência disse que Bolsonaro não se manifestou sobre o tema.

Em mensagem no Twitter nesta segunda-feira (9) à noite, o vereador escreveu: “Por vias democráticas a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade que almejamos…”. A postagem do filho do presidente foi alvo de críticas de políticos e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que viram nela uma ofensa ao sistema democrático brasileiro.

“Eu desconheço que o presidente tenha tomado conhecimento [da declaração]”, disse Rêgo Barros. Ele relatou ainda ter conversado com Carlos nesta manhã, mas não explicou se abordou o assunto.

“Acredito até que o vereador tenha conversado sobre isso com o presidente da República. Mas esse não é um tema que no momento nós queremos vocalizar, porque o nosso foco é a recuperação do senhor presidente da República”, disse o auxiliar.

“O que é tuitado nas contas pessoais é de responsabilidade de cada uma dessas pessoas que são aquelas que dirigem e que orientam o seu relacionamento via mídia social”, completou.

Os médicos corrigiram uma hérnia que surgiu na região do abdômen em decorrência das múltiplas incisões feitas no local nos últimos meses. A operação durou cinco horas e foi considerada bem-sucedida.

Logo após a cirurgia, Bolsonaro vestiu uma cinta elástica para pressionar o abdome operado e ajudar no processo de recuperação. Segundo a Presidência, Bolsonaro estará restabelecido a tempo de discursar na Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, em Nova York.

O surgimento da chamada hérnia incisional já era esperado pelos médicos que atendem o presidente, em razão da série de intervenções feitas na região da barriga do paciente para tratar os danos provocados pelo ataque.

O então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.

A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido. As sucessivas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana, criando uma saliência sob a pele.

G1

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